Marcas
(Deny Saback)
Fechei a ferida
com unguento do tempo,
comprimindo sobre a mágoa,
sobre a raiva,
sobre a dor, até sufocar.
Da ferida restou
uma marca
sobre a pele tatuada.
Mas o sangramento da alma...
Esse? Ah!!!
Esse nunca estancou.
(Deny Saback)
Quem está à minha porta
dizendo que se fiz ou não fiz, da nos mesmo...
É o Tempo.
Ele diz que meus sonhos, meus desejos
foram apagados nos caminhos,
caminhos esses que escolhi.
Ele diz que me trouxe o Fardo
que acompanhado da Verdade
vieram me apontar os erros
que nesses caminhos cometi.
Ele diz que pouco importa meus acertos,
que ser bom é para os Fracos,
que o Tempo não vê Bondade
é um jogo da Liberdade,
é um jogo dos Espertos
onde só há tempo para si.
O Tempo saiu e fechou a porta
deixando apenas o Fardo,
a Verdade
e o Tempo que perdi.
Poeta
Deny Saback
Vieram dizer ao poeta
que ele vive o passado,
por isso não tem futuro...
E o poeta ficou calado.
Vieram dizer ao poeta
que é perda tempo sagrado,
que poesia não mata a fome...
E o poeta ficou calado.
Vieram dizer ao poeta
que enquanto o mundo gira
o poeta sonha acordado...
E o poeta ficou calado.
Vieram dizer ao poeta
que reconhecimento não vai ter,
que viverá no anonimato...
E o poeta ficou calado.
O poeta morreu calado
por saber que não poderia
fazer sentir sua poesia a esses que não sabem ler.
Desfeito
(Deny Saback)
Do laço desfeito
fico eu perdido
fica um nó no peito
fica um choro contido
fica um tempo querido
fica um vazio de nós.
Fica a voz da culpa
fica o erro cometido
fica o pecado arrependido
fica o pedido de perdão
fica o ter te perdido
Fica em desatino o hoje
fica o ontem sem sentido
fica sem traço meu destino
apagado... da palma da minha mão.
(Inspirada e dicada ao amigo Aldo Mussi)
Quando sonhava os mais belos sonhos...
Ainda pequena, com toda pureza.
Eram sonhos ingênuos de reis e rainhas...
E em todos eles, eu era a princesa.
Quando sonhava os mais lindos sonhos...
Ainda mocinha, com muitas incertezas.
Eram sonhos brincados entre meninos e meninas...
E em todos eles ainda era princesa.
Quando sonhava os mais loucos sonhos...
Ainda jovem, no frescor da beleza.
Eram sonhos vividos entre desejos e flores...
E em todos eles continuava princesa.
Quando sonhava os mais reais dos sonhos...
Já mulher, com todas as certezas.
Eram sonhos curtidos entre amores e amigos...
E em todos eles me sentia princesa.
Quando sonho os meus derradeiros sonhos...
Hoje madura experiente pela vida.
São sonhos marcados por alegrias e tristezas.
E em nenhum deles... Nunca sou uma princesa
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